
Drenagem Linfática Manual
O sistema linfático é constituído por capilares, vasos, ductos e gânglios linfáticos e dele também fazem parte as amígdalas, o timo e o baço. O líquido que flui nos vasos linfáticos chama-se linfa e tem uma concentração idêntica ao plasma, exceto pela baixa concentração de proteínas.
O sistema linfático desempenha 3 funções principais
1 – Transporta substâncias vitais para a corrente sanguínea, na sua maioria proteínas que escapam dos capilares com o líquido intersticial acumulado.
2 – Proteção contra microrganismos patogénicos e outras substâncias invasoras de duas formas:
a) Por fagocitose através da ação dos macrófagos que fagocitam e digerem os "invasores".
b) Pela resposta imunológica de células especializadas que fabricam anticorpos ou células que inativam o agente invasor de outras formas
3 – Absorção de lípidos.
História da drenagem linfática manual
Embora Hipócrates, conhecido como o pai da medicina, tenha percebido a existência do sistema linfático no ano 450 a.C, somente muito depois foi que o italiano Gaspar Asseli, professor, dentre outros anatomistas, puderam confirmar tal observação de forma científica e desenvolver seus estudos através da observação de veias em animais.
Logo, em 1651, um médico francês se dedicou ao estudo do conduto linfático, e descobriu um sistema situado próximo ao umbigo humano, no lado esquerdo do abdome. Seu nome era Pecquet e este sistema foi batizado em sua honra.
Outro anatomista que contribuiu para o desenvolvimento da linfografia foi Bartholin e Rudbeek, ambos consolidaram a noção que temos hoje sobre o sistema linfático.
Em 1892 a drenagem linfática manual ficou conhecida como massagem para o escoamento de líquidos excedentes, que causavam inchaço e edemas, mas só passou a ser utilizada no ano de 1932 na Europa.
Um médico, Dr Emil Vodder e sua esposa Estrid, tratavam de pessoas acometidas por gripes e sinusites, estimulando as linfas presentes em seus pescoços. Observando os excelentes resultados obtidos através deste procedimento, o casal acabou criando um método mais abrangente e eficaz, que ainda hoje é utilizado por massoterapeutas do mundo todo e recomendado por cirurgiões e especialistas.
Os movimentos aplicados consistem em pressões leves, suaves, rítmicas e precisas, em forma circular e espiral sempre em direção aos gânglios linfáticos e não utiliza nenhum tipo de creme e não magoa.
É muito importante diferenciar a drenagem linfática manual da massagem de estética que é realizada com óleos ou cremes e cujas pressões são muito fortes, tendo o seu principal efeito a nível circulatório e não linfático.
A drenagem linfática manual tem vários objectivos
- Desintoxicar o organismo por ajudar na eliminação dos líquidos acumulados;
- Ativar o sistema imunitário;
- Atua como analgésico em pós-operatório.
Desta forma é indicado para a melhoria tanto a nível da saúde como de estética corporal.
As indicações da Drenagem linfática são:
- Edemas, varizes, má circulação, sensação de pernas pesadas
- Edemas da gravidez
- Linfo edemas do braço (pós-mastectomia)
- Alívio dos transtornos pré-menstruais
- Celulite, gordura localizada
- Sinusites, rinites, enxaquecas
- Em situações pós-operatórias e de recuperação de cirurgia estética (como lipoaspiração) e oncológica (com indicação médica em ambas as situações).
- Proporciona melhor aspeto da pele e melhora problemas de acne.
- Cansaço e stress
-Tem também o objetivo de retardar o envelhecimento, pois os tecidos celulares beneficiam de uma eliminação de resíduos permitindo-lhes assim uma melhor absorção dos nutrientes. Toda a massagem tem uma ação relaxante e tranquilizante dando uma agradável sensação de torpor em todo o corpo.
Contra-indicações
Contra- indicações absolutas
• Tumores malignos não controlados: pelo risco de disseminação de metástases da patologia por via linfática; correndo o risco de acelerar o aumento do tumor e espalhar outros tumores no organismo.
• Tuberculose: o bacilo desencadeador da tuberculose (bacilo de Koch) aloja-se nos gânglios linfáticos e pela estimulação ganglionar, o bacilo pode voltar à atividade;
• Processos infeciosos e inflamatórios agudos: a aceleração do fluxo linfático pode disseminar a infeção;
• Edemas oriundos de insuficiências renais, hepáticas ou cardíacas não-controlados: a sobrecarga de fluxo linfático originado pela drenagem linfática pode levar a congestão das estruturas fragilizadas por patologia de base;
• Insuficiência renal aguda: ao aumentar o transporte de líquido a ser filtrado pelo rim, a drenagem linfática pode causar um colapso do sistema renal;
• Trombose venosa profunda, flebites e tromboflebites agudas: pelo risco de tromboembolismo;
• Erisipela em fase aguda: a aceleração do fluxo pode disseminar a infeção;
Entre as contra-indicações relativas estão
• Hipertireoidismo: a estimulação direta sobre a glândula pode alterar a secreção hormonal, portanto, a drenagem linfática deve ser realizada sem manipulação sobre a área da tiroide;
• Insuficiência cardíaca: o aumento do fluxo cardíaco ocasionado pela drenagem linfática pode ocasionar aumento do trabalho cardíaco e colapso do sistema, portanto, a drenagem linfática só deve ser realizada em pacientes compensados metabolicamente e com autorização do médico cardiologista;
• Asma brônquica e bronquite: deve-se evitar estimular e região esternal para não potencializar as crises;
• Hipertensão arterial: pacientes hipertensos devem ser vigiados quanto à pressão, antes, durante após os atendimentos de drenagem linfática;
• Afeções da pele: não massagear diretamente as áreas afetadas;
• Estados febris: a aceleração do fluxo linfático pode propagar processos infeciosos.